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Drogas recreativas sempre foram uma espécie de oceano que nunca quis experimentar.

Quando era jovem, desportista e puritano mantinha-me sempre afastado. Por preconceito, ignorância e porque, sobretudo, não era consumidor cheguei a condenarquem o fazia. Ficava até bem lixado com os meus amigos quando os via alterados.

Hoje entendo qualquer substância que nos altera a consciência, a lucidez, a sobriedade como um mergulho no mar.

Há quem queira dar uns saltos malucos para as ondas e apanha umas bezanas, há quem faça uns mergulhos com mais profundidade e fuma uma ervinha, há quem decida ir mais fundo ou mais longe até não ver a luz do sol ou terra, há quem vai e leva com tempestades… há quem não volte…

Em todo o caso o importante é estar informado, bem informado. Não é o meu caso. Não sou nenhum perito em drogas, apenas tenho para mim que cada um é livre de consumir o que bem quiser, de preferência com a sensatez de saber o que está a consumir, as suas consequências e perigos. Tal como quem quer ir para o mar…

Mas o mar também pode ser perigoso como o caraças! Ninguém vai para alto mar em dia de tempestade, à noite, doente… ou vai, se a vida em terra for uma valente merda.

Reflecti sobre isto porque experimentei space cookies aos 42 anos. Depois de umas tímidas tentativas, com uma cookie, depois duas cookies bem “fraquinhas”… num dia, mamei quatro de seguida, antes de jantar… e tive a minha primeira “bad trip”.

Mas foi uma bad trip “informada”. Sabia perfeitamente o que se estava a passar. A sensação de desfalecimento (a minha pressão arterial caiu a pique), o medo de morrer se adormecesse, a taquicardia do pânico por não controlar os meus movimentos corporais. Querer e não querer fechar os olhos. Querer deixar-me levar e não querer deixar-me levar… Três horas nisto…

A única parte boa durou muito pouco tempo. Foi tão rápida como a queda do precipício que senti quando “bateram” os cookies e aterrei no sofá.

Confesso que não fiquei com muita vontade de experimentar outra vez… apesar de saber que fui muito parvo (lá está, a pouca informação…) mas o facto de ter a pressão arterial de uma princesa não me deixa com muito espaço para dar “esses mergulhos” no mar das drogas recreativas.

Resta-me ficar em terra. Fico satisfeito por molhar os pés à beira mar sempre que bebo um copo de vinho tinto.

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Há mar e mar… há ir e voltar

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